Reforma do Ensino Médio e a educação profissional: onde eles se juntam?

Falar sobre o Novo Ensino Médio é fundamental para que dúvidas sejam esclarecidas e instituições e professores possam trocar experiências relacionadas às expectativas da Reforma aprovada em fevereiro deste ano.

O Centro Paula Souza abriu espaço para esse debate e hoje, 6, realizou o evento A Reforma do Ensino Médio e a Educação Profissional. A ideia surgiu no Fórum da Educação Profissional do Estado de São Paulo, que realiza reuniões mensais e organiza dois eventos por ano para falar de assuntos que sejam relevantes para a educação do Estado.

Auditório lotado para o debate sobre a Reforma do Ensino Médio e a Educação Profissional

Uma das mudanças no ensino médio com a Reforma é a flexibilização da matriz curricular, onde o aluno poderá optar por um itinerário formativo que seja mais interessante para ele. Uma dessas opções será o de formação técnica e profissional. Por isso, é tão importante um encontro que traga informações e relacione o ensino médio e a educação profissional.

Atualmente, apenas 22,1% dos concluintes de ensino médio migram para a educação profissional e técnica, de acordo com dados do Anuário da Educação Básica de 2017.

A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é que esse percentual triplique até 2024 e a proposta do Novo Ensino Médio pode ser um dos caminhos para que isso aconteça.

Para o professor Jonas Severino da Silva, que leciona na educação técnica e profissional há sete anos e que foi estudante de curso técnico, iniciativas desse tipo são importantes para “concentrar e sistematizar as informações sobre as mudanças que deverão acontecer em um futuro próximo”.

Para ele “existe muita especulação sobre o assunto e ouvir especialistas é fundamental para que o docente se atualize”.

Jonas enxerga a Reforma de maneira positiva e acredita que os estudantes terão mais oportunidades de inserção no mercado de trabalho. Para o professor, a medida também poderá “diminuir e conter a evasão do ensino médio e de cursos técnicos”.

Tanto barulho em torno da proposta do novo ensino médio é explicado pelos desafios que são colocados a todos os profissionais da área da educação brasileira e ao próprio governo, em âmbito federal e estadual.

Alguns pontos sobre a Reforma do Ensino Médio

A coordenadora de gestão da educação básica do Estado de São Paulo, Valéria de Souza, que compôs uma das mesas do encontro, elencou alguns pontos que devem ser considerados para uma reflexão acerca da Reforma do Ensino Médio.

  • Recursos humanos suficientes e preparados
  • Estrutura física que suporte as mudanças propostas
  • Equipes escolares preparadas
  • Implantação de itinerários formativos de acordo com a demanda local

O último item chama a atenção porque, teoricamente, o aluno terá à sua disposição cinco opções de “trilhas de aprendizagem”. Seriam elas:

  • Linguagens e suas tecnologias;
  • Matemática e suas tecnologias;
  • Ciências da natureza e suas tecnologias;
  • Ciências humanas e sociais aplicadas;
  • Formação técnica e profissional.

Um dos debates deve levantar a questão se todas as cidades terão a estrutura necessária para a oferta dos cinco itinerários formativos. E se não puderem ter os cinco, qual deveria ser priorizado e porquê?

Esse é um processo que demanda tempo e pode englobar um estudo da situação econômica, social e também profissional da região, uma vez que os itinerários devem estar alinhados com a realidade local.

Fernanda Ferreira Boschini, do Instituto Federal de São Paulo, fala que a flexibilidade que será dada ao estudante com a Reforma é uma falsa liberdade.

“Somente a cidade de São Paulo tem a estrutura necessária para a implantação e oferta dos cinco itinerários formativos. O que limita e coloca em desvantagem todos os outros estudantes do Estado”.

Opiniões favoráveis e contrárias a uma medida como essa, que pode gerar impactos positivos e negativos na vida de professores e de mais de 8 milhões de estudantes do ensino médio no Brasil, são fundamentais porque enriquecem o debate e podem contribuir para o surgimento de alternativas para o ensino médio e também para a educação técnica e profissional.

Para Almério Melquíades de Araújo, coordenador técnico do ensino médio e técnico do Centro Paula Souza, uma opção seria o estabelecimento de parcerias. “O aluno poderia ter aulas teóricas na escola e aprenderia a prática na empresa. O que diminuiria os custos com investimento por parte da instituição”.

Outra facilidade seria a ampliação da oferta de educação a distância (EAD). “Os cursos poderiam ser totalmente EAD ou semipresenciais. No estado de São Paulo o Centro Paula Souza tem 6 cursos com cerca de 6 mil alunos. Com a ampliação da modalidade, mais alunos seriam beneficiados com o acesso à educação técnica profissional”.

Contar com parceiros que estejam atualizados e bem informados em relação a todas as mudanças que envolvem a Reforma do Ensino Médio e o futuro da educação profissional e técnica no Brasil, seja na modalidade presencial ou EAD, é fundamental para o sucesso de instituições que atuam nessas áreas.

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