Novos rumos da indústria brasileira no século XXI

Por Alexandre Capelli, engenheiro e especialista em automação industrial

 

“A melhor maneira de predizer o futuro é cria-lo”, afirmou Peter Drucker, pai da Administração moderna.

Não há dúvida de que o mundo tem passado por transformações emblemáticas em todas as áreas. Da religião aos negócios; da transformação do poder de uma nação, antes bélico e agora econômico. Nas últimas décadas, muitas fronteiras foram quebradas, ao mesmo tempo em que muros foram erguidos.

A indústria, evidentemente, não poderia estar fora dessa dinâmica caótica. Se produzir em países desenvolvidos é um grande desafio, quantos serão os desafios vivenciados pela indústria brasileira?

Como engenheiro eletrônico com 26 anos de experiência, chego à conclusão de que a nossa indústria da transformação, a despeito das dificuldades, faz um bom produto, competitivo em qualidade e, até mesmo, referência para outros países. E não poderia ser diferente, afinal, temos um território imenso, o melhor clima do planeta, muitas fontes de energia renováveis, solo fértil, 8.500 km. de litoral e biodiversidade rica. Contudo, mesmo diante deste cenário de causar inveja, não faltam desafios.

Segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 21,6% em 1985 para 11,40% em 2016, ou seja, o PIB brasileiro perdeu dez pontos em 30 anos, retornando ao mesmo patamar de 1947.

Impostos

Existem várias barreiras que impedem um crescimento perene. A falta de infraestrutura modal é um bom exemplo, que torna o transporte de cereal por estradas esburacadas e sua embarcação em portos para lá de obsoletos, uma vez que esse processo custa mais caro que a produção do bem.

A insegurança jurídica com leis antiquadas e fora da realidade para nossos tempos espantam investidores. Porém, sem dúvidas, a tributação é o maior vilão para quem quer produzir manufaturados no país. Um exemplo que representa bem essa realidade é o automóvel.

No Brasil, cerca de 38% do preço de um veículo é imposto – vale ressaltar que, aqui, temos o imposto mais alto do mundo. São eles: IPI, PIS, Cofins e ICMS.

Por incrível que pareça, essa é uma boa notícia, pois, uma vez fechado o negócio, o comprador terá que pagar o IPVA, o DPVAT e a taxa de licenciamento para tirar o carro da loja.

O que me deixa perplexo é o IPVA. Ao contrário do que a maioria pensa, esse imposto não tem um regra fixa para seu uso. Isso mesmo: ele não é usado para a manutenção das vias públicas, ruas e calçadas. Esse imposto pode ser utilizado de acordo com as necessidades da cidade, segundo a lei que o criou em 1985, em substituição à Taxa Rodoviária Única (TRU).

Ora! Mas já foi cobrado o ICMS e, tanto ele quanto o IPVA são impostos estaduais. Na cidade de São Paulo, o IPVA chega a 4% do valor venal do carro, além de ser cobrado anualmente. É a mesma coisa que comprar uma geladeira e ter de pagar pelo seu uso durante toda sua vida útil. Resultado, fora o seguro privado, você paga 50% a mais do que um carro “vale” efetivamente.

Essa tributação excessiva atinge empresas de todos os segmentos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abiee), muitas fábricas simplesmente “desapareceram” nos últimos anos. Entre elas, algumas que produziam aparelhos muito comuns em nossos lares, como liquidificadores, ferros de passar roupas e secadores de cabelos. Hoje, com custo muito inferior, esses produtos são trazidos da China.

O mesmo mal acomete as linhas branca (geladeiras, máquinas de lavar roupas e fogões) e marrom (televisores), o que obriga os “heroicos” fabricantes nacionais a nadar contra uma maré muito brava.

Indústria 4.0

Como engenheiro, não me atrevo a opinar sobre políticas públicas. Assim, faço a análise da fábrica para dentro. Entendo que devemos seguir o exemplo da Alemanha e partir para a Indústria Inteligente, também conhecida como manufatura avançada ou indústria 4.0.

O conceito de indústria 4.0 surgiu na Alemanha em 2012, durante a Feira de Hannover. Siegfried Dais, engenheiro e executivo da Bosch, apresentou ao governo alemão um documento com diretrizes para tornar a indústria alemã ainda mais competitiva. Esse documento é, na realidade, um conjunto de tecnologias que flexibiliza a produção, reduz desperdícios, elimina retrabalhos e aumenta a produtividade e a qualidade.

Por meio de softwares de inteligência artificial, as novas fábricas 4.0 conectam produção, fornecedores, gestores e clientes em uma rede. Essa conexão é conhecida como Internet das Coisas (IoT), do inglês Internet of Things.
Por meio dessa tecnologia, o usuário pode personalizar seu produto a tal ponto que empresas produtoras de bebidas conseguem entregar cervejas e refrigerantes em latinhas nas cores dos times exatamente no dia e local do jogo – e sem cobrar mais caro por isso.

A mão de obra humana em tarefas repetitivas e com baixo capital intelectual é substituída por robôs de última geração, reduzindo o preço do produto final.

Um cliente pode comprar um notebook personalizado pela internet, com uma placa de vídeo mais poderosa, por exemplo, ou na sua cor preferida, ou com a quantidade de memória adequada ao seu perfil. Tudo com qualidade, baixo custo e em tempo real.

Esse movimento tecnológico já esta presente em todo o mundo e começa dar sinais por aqui também. Estima-se que a maioria das fábricas brasileiras já estará operando por meio da manufatura avançada até 2020. Um futuro bem próximo.

Para quem se pergunta se isso não gerará desemprego, respondo: hoje, o Brasil tem 14 milhões de desempregados, recorde em todos os tempos. Qualquer mudança está mais para uma oportunidade do que para um problema ou ameaça.

Sucesso Profissional

A chave para o sucesso nesse novo mundo é inegavelmente a qualificação e a capacidade de se adequar rapidamente a essas mudanças. O país precisa de profissionais bem formados, competentes, éticos e que não tenham medo de desafios.

Atualmente, para estudar, basta ter vontade. Temos grandes instituições de ensino em todo o País. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) é uma delas. Gente de todo mundo visita a entidade – que forma anualmente milhares de jovens e adultos – para aprender como conceber escolas de ensino técnico e tecnológico em seus países.

De modo alternativo, mas não menos importante, temos uma grande oferta de ensino a distância (EaD) para aqueles que possam ter dificuldades com horário ou com deslocamento.

Enfim, a história da indústria funde-se à história dos próprios brasileiros, pois são esses que a construíram e que a mantem. Portanto, quem sabe não será a própria indústria o instrumento de transformação do Brasil, inspirando o Poder Público com sua eficiência e eficácia na gestão de recursos físicos e humanos.


Mantenha-se informado sobre o assunto.


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