Evasão escolar: causas, consequências e como evitar

Contrariando o senso comum de que a maior causa da evasão escolar é os jovens deixarem as salas de aula para trabalharem, o abandono da escola começa com faltas esporádicas, devido à falta de interesse do aluno.

Tal motivo é o mais recorrente entre os 52% dos jovens de 19 a 25 anos – segundo pesquisa recente do Banco Mundial – que decidiram abandonar os estudos: começa com uma ou outra falta até que o estudante simplesmente não aparece mais.

Os dados não enganam. A evasão escolar é uma realidade dura entre os jovens brasileiros. Para combate-la, o primeiro passo é entender que a causa do desinteresse do aluno está muito além do seu controle.

Entenda o atual contexto da evasão escolar

Como dito anteriormente, uma pesquisa recente do Banco Mundial revelou que 52% dos jovens brasileiros entre 19 a 25 anos largaram os estudos, não se dedicam minimamente à escola ou estão com a formação atrasada. O dado é alarmante.

A mesma pesquisa ainda nos revela outras informações, como o fato de que, atualmente, 43% da população no Brasil acima dos 25 anos não completaram o Ensino Médio. Com a atual situação educacional dos jovens, não é um absurdo afirmar que esse dado pouco deve melhorar nos próximos tempos.

Se descermos um pouco a faixa-etária para os adolescentes, vemos que a situação continua preocupante: 25% dos brasileiros com idade entre 15 a 17 anos abandonam os estudos anualmente.

Mesmo entre a juventude que continua nas salas de aula – contando adolescentes e jovens acima dos 18 anos -, constata-se que 62% não estuda no ano adequado a sua idade. Dessa forma, conclui-se que possuímos problemas no âmbito educacional como um todo, e não só entre os alunos faltantes.

As 3 principais causas da evasão escolar

Tendo todos esses dados acima em vista, é necessário fazer um levantamento das principais causas da evasão escolar, a fim de entender a raiz de um problema que tende a desencadear uma série de consequências negativas para o país. Confira:

Distância

Principalmente entre os alunos da educação infantil e do começo do ensino fundamental, a distância entre a residência e a escola pode ser um fator determinante para a ausência do aluno das salas de aula. A causa é ainda mais presente em zonas rurais, onde a oferta de escolas pública é ainda menor do que em zonas periféricas da cidade.

É preciso ressaltar também que a situação econômica da família influencia muito nesse fator. Tendo que trabalhar o dia todo para conseguir manter as contas de casa em dia, os pais acabam priorizando atividades laborais em vez de levar os filhos para uma escola distante. Quando crescem, as crianças logo começam a acompanhar o pai ou a mãe no trabalho.

A oferta de transporte escolar por parte de órgãos públicos poderia ser uma solução viável para esse problema.

Desinteresse

Mais presente entre alunos do final do ensino fundamental ou do ensino médio, o desinteresse é a principal causa da evasão escolar. O levantamento do Banco Mundial, inclusive, constatou que tal fator avança em classes sociais as quais não há tanta pressão em relação a renda da família – ou seja, camadas da sociedade em que não seria necessário o jovem trabalhar para gerar renda.

Criticado inclusive por educadores, o atual sistema de ensino é considerado ultrapassado. Profissionais do ramo acreditam que o tradicional “aluno em carteiras enfileiradas e um professor na frente da sala” não funciona mais como outrora, sendo cada vez mais necessária uma mudança. Não vendo mais motivação para se manter na escola, o jovem começa a faltar com mais frequências às aulas até que o abandono se concretiza.

Situação econômica desfavorável

Relacionada às duas causas citadas acima está, muito provavelmente, uma situação econômica desfavorável por parte da maioria das famílias dos alunos que abandonaram a escola.

Nesse âmbito, faz-se necessário mais um contribuinte para pagar as contas de casa – acarretando, então, no abandono da escola pelo jovem e a consequente inserção precoce no mercado de trabalho.

Essa causa é uma das mais comuns para a evasão escolar. Não conseguindo conciliar os estudos com as atividades laborais, o jovem prefere trabalhar com o que der desde cedo para conseguir sua autonomia financeira – mesmo que com um baixo salário.

A não conclusão dos estudos, no entanto, faz com que esse jovem seja classificado com uma baixa qualificação perante outros concorrentes formados.

Consequências da evasão escolar

Não concluir os estudos básicos do colégio certamente trará consequências não só para o jovem, mas também para o país como um todo. A falta de profissionais qualificados pode afetar a economia, além de contribuir para o avanço da desigualdade social. No entanto, pensemos nas consequências de forma pessoal para o aluno ausente. Veja a seguir:

Dificuldades no mercado de trabalho

A baixa qualificação do jovem com certeza influenciará no contingente de oportunidades trabalho ao longo de sua vida. Não possuir o diploma de conclusão do ensino médio o impede de se candidatar a diversas vagas de emprego, restringindo-o a determinados setores em que a presença de pessoas que abandonaram a escola é maciça.

Nesse sentido, manter as contas de casa em dia pode acabar se tornando uma tarefa complicada, ainda mais quando o jovem em questão possui filhos ou outras pessoas para sustentar. Tal situação ainda contribui, em muitos – e piores – casos, para a aproximação com o mundo do crime.

Outro desdobramento recorrente é o retorno tardio do jovem para sala de aula. Por causa da necessidade de melhores oportunidades de emprego, não é incomum ver, por exemplo, jovens de mais de 25 anos em salas do ensino médio de escolas públicas.

Dependência financeira do trabalho

Devido a falta de um diploma de conclusão do ensino médio, o mais recorrente é que os jovens que abandonaram os estudos possuam salário reduzidos, próximos ao mínimo estipulado pelo Governo Federal. Tendo a necessidade de se sustentar por si próprio, muitas vezes o jovem acaba tendo que fazer mais de uma jornada de trabalho, não possuindo tempo para quase nada além de trabalhar.

Nesse sentido, dificulta-se a possibilidade de qualificar-se com eventuais cursos, por exemplo. A dependência ao trabalho tende a se agravar conforme passa o tempo, o que configura uma espécie de aprisionamento do jovem a uma atividade laboral qualquer de baixa remuneração – não o permitindo ter quase nada de tempo para se desenvolver pessoalmente.

Como evitar?

Tendo em vista as consequências acarretadas pela evasão escolar da maioria dos jovens brasileiros, é preciso apontar para o fato de que grande parte das medidas de combate a esse problema passa por atitudes da própria escola – acompanhar o aluno mais de perto é um exemplo. Confira a seguir três formas de como evitar o aumento da evasão escolar:

Gestão escolar eficiente

Mesmo possuindo função pedagógica, uma escola lida com questões administrativas e contábeis – ou seja, também pode ser considerada uma empresa. Nesse sentido, geri-la de forma estável é necessário para um ambiente e estrutura adequados. Otimizar o destino dos recursos disponíveis – por mais que sejam poucos – é uma das premissas de uma boa gestão escolar.

Com isso, garante-se que os alunos e os educadores possuam uma das melhores estruturas possíveis – levando em conta as possibilidades de cada caso. A gestão escolar ainda diz respeito ao acompanhamento pedagógico de cada estudante da instituição. Nesse sentido, softwares podem ser de ótimo auxílio para analisar o progresso de cada aluno e prever eventuais abandonos por baixo desempenho.

Proximidade com as famílias

Além do acompanhamento minucioso do desempenho do estudante em sala de aula, manter contato com a família é essencial para prevenir a ausência da sala de aula. É importante o educador estar próximo de seus alunos, porém dificilmente ele terá mais conhecimentos sobre eles do que suas próprias famílias.

Trabalhar em conjunto com os parentes do aluno que não costuma frequentar muito a aula pode ser uma boa medida para fazê-lo voltar a ter vontade de estudar. Nesse sentido, orientar a família em relação ao comportamento do jovem na escola é fundamental.

Sistema de educação integral

Uma possível solução estrutural em relação ao sistema educacional seria a implementação de aulas e atividades em período integral nas escolas públicas. Ressalta-se que período dentro da instituição não poderia ser composto exclusivamente por aulas dentro das salas – ao menos em parte dos dias letivos. Nesse sentido, é necessário que o local tenha uma certa estrutura para tal.

Entramos, então, no ponto de que é necessário haver um investimento público maior na construção de escolas com possibilidade de acolher os alunos na maior parte do tempo. Dessa maneira, abre-se mais possibilidades para os jovens se desenvolverem e terem um aprendizado diversificado em relação ao tradicional.

Combater a evasão escolar exige um trabalho constante de todo o corpo pedagógico

Não é de uma hora para a outra que todos os alunos ausentes de uma instituição voltarão a comparecer às aulas. O processo ocorre de forma gradual, em que a gestão da escola precisa trabalhar com foco na qualidade do aprendizado dos alunos. O acompanhamento pedagógico é um dos pontos mais importantes. Saber se o aluno está bem e em condições de estudar também é necessário.

Esses dois fatores se dão por um trabalho aproximado entre os educadores da instituição e as famílias dos estudantes. Inclusive, a fim de combater a evasão escolar, propiciar as condições e estrutura necessárias para o bom trabalho dos profissionais é fundamental, e passa por uma gestão dos recursos da instituição.