Você sabe o que é o educação à distância? Saiba tudo sobre o EAD

A educação à distância, muito conhecida também por EAD, é uma modalidade de educação que tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil e em outras partes do mundo. É caracterizada principalmente pelo uso da tecnologia como agente intermediário para impactar os estudantes – sem que seja necessário estar presente em uma sala de aula, por exemplo.

Na EAD, os alunos, professores e outras figuras envolvidas no processo educacional interagem entre si por meio de plataformas online construídas e dedicadas exclusivamente a essa atividade. Trata-se de um novo modelo de aprendizagem que tem ganhado adeptos conforme os recursos tecnológicos também se tornam mais acessíveis.

Principais objetivos

Quando a internet passou a fazer mais parte da vida das pessoas, naturalmente passou-se a dividir os momentos do dia em momentos online e offline.

O primeiro fazia referências ao ato de buscar assuntos de interesse no Google ou checar a caixa de entrada de e-mails em momentos específicos do dia, como no trabalho ou chegando em casa. Já o segundo seriam as visitas ao shopping, ao supermercado ou durante um almoço com amigos, por exemplo.

Com o tempo, porém, percebeu-se que essa separação já não faz sentido. Isso porque a tecnologia está – literalmente – na palma de nossas mãos. O que dificulta cada vez mais identificar momentos do dia que não tenham qualquer tipo de interação com o ambiente digital. Quem nunca ativou descontos no aplicativo do supermercado ou tirou foto de um prato antes de devorá-lo?

Levando isso para o campo da educação, o modelo de EAD surgiu justamente desta percepção: se estamos cada vez mais conectados a ambientes virtuais e utilizando recursos tecnológicos ao longo do dia, por que não apostar nisso para lançar um novo modelo de aprendizagem que se adeque aos tempos atuais?

Mas não só isso: a educação à distância não deve seguir exatamente as mesmas diretrizes das aulas presenciais. Justamente por estarem inseridas em outra contexto, elas devem ser dinâmicas, interativas e possibilitarem outras vantagens que a educação em sala não proporciona – muitas vezes em razão de suas próprias limitações.

Trata-se, em geral, de mais uma porta de acesso à educação. Evidentemente que o formato não funciona para todos e não substitui o ensino presencial em alguns casos, mas pode ajudar a quem não tem oportunidade de se locomover até uma instituição de ensino.

Mercado do EAD no Brasil

Diante deste cenário, em que o online e o offline se misturam, não é à toa que a educação à distância seja uma das modalidades de ensino que mais crescem no país – principalmente quando falamos em ensino superior.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2016 (o último publicado), enquanto a procura por cursos em EAD cresceu 7,2% naquele ano, às referentes ao ensino presencial caíram 1,2% no mesmo período.

Ao todo, o número total de alunos que estudam fora da sala de aula já está quase batendo na porta dos 1,5 milhão – o que já representa cerca de um quinto do total de matrículas em todo o ensino superior no Brasil.

Educação à distância X Educação presencial

Outra pesquisa, desta vez da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), mostra que 44% das pessoas, hoje, optariam por cursar uma faculdade à distância.

A maioria ainda prefere o modelo presencial. Mas se seguir nesse ritmo, a expectativa é de que em 2023 haverá no Brasil mais estudantes em EAD do que dentro das salas de aula.

Para atender a esse aumento de demanda, as próprias instituições de ensino passaram a ofertar quantidades maiores de cursos disponíveis na modalidade à distância

De 2011 a 2015, por exemplo, segundo a Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed), houve aumento de 51% na oferta de EAD entre as instituições privadas – e 31% das 341 que fizeram parte do levantamento afirmaram que aumentariam os investimentos na modalidade em 2017.

Como funciona a educação à distância?

Um curso à distância fica hospedado em uma plataforma online, que também chamamos de ambiente virtual de aprendizagem. Nela ficam disponíveis todos os materiais e aulas aos quais o estudante poderá ter acesso – dependendo do curso escolhido, de seu perfil e até dos recursos válidos de acordo com o valor que está sendo pago, entre outros critérios.

É nesta plataforma que os alunos também assistirão às aulas. Elas geralmente ficam disponíveis durante um período de tempo ou até mesmo por tempo indeterminado, dependendo do curso. Podem ser disponibilizados materiais complementares para estudo juntamente com as aulas, além de uma barra de progresso para que o aluno saiba o quanto já evoluiu no curso e quanto falta para concluir o módulo.

Da mesma forma que funciona para redes sociais, e-mails e outros espaços digitais individuais, para acessar a plataforma é necessário entrar com um login e uma senha.

Avaliações também podem ser feitas neste modelo – respeitando sempre as regras estabelecidas pela própria instituição de ensino.

Como criar um curso online?

Só que para funcionar, a modalidade EAD precisa de uma plataforma online que funcione bem e proporcione uma boa experiência a todos os envolvidos.

Para gestores de escolas que desejam implementar cursos à distância, o ideal é fazê-lo por meio de plataformas específicas para EAD que já englobem tudo o que é necessário para inserir as aulas e os materiais complementares.

O importante também é criar um ambiente de aprendizado online que seja personalizado de acordo com os interesses e expectativas dos alunos – e não precisa economizar nos recursos tecnológicos. Quanto melhor a experiência for para os estudantes, melhor e mais bem conceituado será o curso.

Além disso, a plataforma deve ser fácil de navegar e bastante intuitiva para justamente facilitar a navegabilidade. Se conter biblioteca virtual, materiais de apoio (em texto, vídeos, infográficos etc.), chat para conversar com o professor e fóruns com grupos de outros alunos, entre outros recursos, melhor ainda!

Público prioritário

Qualquer pessoa que se identifique com o modelo de educação à distância pode realizar um curso EAD. Mas ele pode ser especialmente benéfico para alguns públicos específicos:

  • Pessoas que têm pouco tempo livre de modo geral;
  • Pessoas que precisam conciliar o trabalho com os estudos;
  • Pessoas que moram ou trabalham longe das instituições de ensino;
  • Pessoas que precisam cuidar da casa ou dos filhos, e não conseguem se locomover até a escola ou ficar fora por muito tempo;
  • Pessoas que residem em locais afastados de grandes centros urbanos ou que não tenham muitas opções de ensino presencial perto de casa;
  • Pessoas que não podem arcar com os custos de um curso presencial;
  • Pessoas que em geral gostam ou preferem estudar em casa do que em uma sala de aula.

Principais vantagens

Em geral, as vantagens da educação à distância podem ser resumidas a dois fatores principais:

  • Custo menor: é mais barato apostar na modalidade à distância do que em cursos tradicionais, que exigem estrutura, modernização de equipamentos e outras despesas. Do lado do aluno, o valor da mensalidade também costuma ser mais baixo e, por isso, mais vantajoso;
  • Flexibilidade: os estudantes podem assistir às aulas a qualquer hora do dia e em qualquer lugar também. Isso tira possíveis impeditivos da equação, como a locomoção até a instituição de ensino e eventual indisponibilidade de horários.

Estes dois benefícios, por si só, levam a uma série de outras vantagens, que também podem ser lidas como consequências do EAD. Veja:

  • Por se encaixar na rotina de diferentes pessoas e ser mais barato do que cursos tradicionais, a educação à distância possibilita que mais pessoas tenham acesso a oportunidades de estudo;
  • A criação de fóruns de discussão dentro das plataformas de aprendizagem também permitem que os estudantes tenham contato com alunos de outras partes do Brasil. A conectividade que a internet proporciona extingue as fronteiras geográficas;
  • Os certificados emitidos após a conclusão dos cursos EAD têm o mesmo valor do diploma conquistado ao final de curso presencial;
  • O canal de comunicação entre aluno e professor é encurtado pela acessibilidade e os recursos disponíveis em uma plataforma online.

E as desvantagens?

Como tudo na vida, existem alguns desvantagens da educação à distância que precisam ser consideradas por gestores e diretores de escolas na hora de implementar cursos à distância. Confira as principais:

  1. No EAD, não há contato tão próximo com outros estudantes e nem com o ambiente universitário. Isso pode eventualmente se tornar um obstáculo para pessoas que se distraem facilmente ou que preferem uma sala de aula para absorver um novo conteúdo;
  2. Habilidades de gestão de tempo e organização não são o forte de muitas pessoas. Como no EAD é necessário que o estudante organize sua rotina para encaixar os estudos e assistir às aulas, é preciso ter bastante atenção a este aspecto. Por isso, não é raro que tantas pessoas abandonem um curso à distância pela metade, por exemplo, porque não se acostumaram com o modelo ou não conseguiram se organizar;
  3. Ainda existe uma certa resistência dentro do mercado de trabalho a profissionais que trazem cursos à distância no currículo. A enorme estima que se nutre até hoje pelo modelo tradicional de ensino, o desconhecimento a respeito do funcionamento de um curso EAD e a falsa crença de que estes são menos completos ou de menor qualidade somente por serem ministrados à distância são alguns dos fatores que levam a este cenário;
  4. Apesar de ser uma vantagem, levando em conta que vivemos em um mundo cada vez mais conectado, a própria acessibilidade pode ser um fator impeditivo tanto para pessoas que não têm domínio sobre ferramentas digitais (como algumas pessoas de terceira idade) quanto para quem não tem acesso à conexão de qualidade (especialmente em regiões mais afastadas);
  5. A educação à distância é benéfica principalmente para os públicos citados acima, mas nem todo processo de aprendizagem pode ou deve ser feito distante de uma sala de aula. A educação básica ou infantil é um exemplo. É de extrema importância que o aprendizado de crianças ocorra em grupo, com o auxílio de professores especializados, colocando a mão na massa e criando materiais. O modelo à distância, aqui, não é adequado e não propicia essas atividades.

Algumas dessas desvantagens nem sempre estarão presentes, mas, quando estão, podem ser contornadas. Uma pessoa que tenha dificuldades para gerir o próprio tempo, por exemplo, pode aprender com algumas técnicas específicas e fazendo uso de determinadas ferramentas.

Como também é de responsabilidade do gestor de uma escola cuidar para que mais pessoas adiram a seus cursos, mostrar possíveis caminhos para superar obstáculos que impedem a matrícula é uma boa saída.

EAD no Ensino Técnico

Falando especificamente em ensino técnico, o EAD tem se mostrado um excelente meio para conquistar cada vez mais alunos.

Isso ocorre porque as pessoas têm percebido que, com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter um bom currículo com capacitações diferenciadas acaba sendo um pré-requisito para muitos processos seletivos.

Diante deste cenário, os cursos técnicos podem vir muito a calhar. Mas aqui entramos na mesma questão apresentada acima: muitas vezes, o indivíduo não tem condições de se locomover até uma escola técnica – ou até de arcar com os custos de algumas mensalidades.

Por isso, a modalidade à distância pode ser uma ótima forma de solucionar este problema. E isso tem sido percebido cada vez mais por mantenedores dessas instituições, que descobriram no EAD uma forma de atrair mais alunos.

Hoje já existem diversos tipos de cursos técnicos que se adequam tranquilamente ao modelo da educação à distância. Técnicos em administração, marketing, informática, RH, contabilidade, segurança do trabalho e secretariado são alguns que têm sido muito procurados por jovens estudantes de todo o Brasil.

Quando investir em EAD é uma boa opção?

Diante da crescente demanda por cursos online, é possível dizer – com segurança – que investir em EAD é uma boa ideia por si só. Você dá a sua oferta por uma demanda que não só existe como está em constante crescimento, ao passo em que modalidades de ensino tradicionais estão lentamente retraindo em relação aos anos anteriores.

Evidentemente, é importante fazer as contas e entender até que ponto vale fazer o investimento. Mas é exatamente isso: um investimento que, orçado corretamente, ajudará a trazer inúmeros benefícios no longo prazo.

E o modelo semipresencial?

Chegamos ao fim deste artigo, mas não poderíamos encerrar a discussão sem falar deste outro modelo educacional que também é muito adotado pelas instituições de ensino do país: o semipresencial.

Como o próprio nome diz, os cursos que vêm nesta modalidade não são nem totalmente presenciais e nem totalmente online. Eles são muito comuns no ensino superior, na pós-graduação e no próprio ensino técnico.

Funciona muito quando a instituição ainda está testando o formato à distância, da seguinte maneira: disponibiliza-se disciplinas para serem feitas presencialmente e outras que devem ser cursadas pela plataforma online.

É um bom recurso principalmente para inserir ainda mais matérias na grade curricular e aumentar o valor agregado ao curso em si.

Também tem muita aderência: outra pesquisa da ABMES mostrou que 93% dos entrevistados disseram que fariam um curso EAD desde que as aulas práticas fossem presenciais. Este seria um exemplo clássico de curso semipresencial.