Os 4 principais desafios de gestão no ensino técnico

Em um mundo cada vez mais aberto a diferentes oportunidades e experiências, é muito importante que gestores escolares estejam atentos a novas tendências e preocupados, principalmente, em realizar uma gestão eficiente nas escolas técnicas.

Entretanto, existem uma série de desafios que fazem parte do dia a dia dos diretores e coordenadores de escolas profissionalizantes. A lista de problemas é longa, mas há pelo quatro aspectos que são frequentemente citados por gestores:

  • Dificuldade em gerenciar o próprio tempo, em razão do acúmulo de funções;
  • Evasão de alunos do ensino técnico para curso tecnólogos;
  • Evasão dos próprios professores, que não têm incentivos reais para permanecer;
  • Orçamento enxuto e dificuldade para distribuir os investimentos.

Abaixo, nós explicamos melhor como cada um desses desafios impacta diretamente no dia a dia de gestores de escolas técnicas. Continue lendo, pois você certamente irá se identificar.

4 desafios de gestão no ensino técnico

1. Gerenciamento do tempo

Se tem uma coisa que muitos gestores escolares compartilham entre si é a dificuldade em gerenciar o próprio tempo — muito mais por falta de estrutura do que por uma falha de organização em si.

Este não é um problema exclusivo de escolas profissionalizantes, mas existe o agravante de grande parte das instituições do ensino técnico serem pequenas e não contarem com uma equipe muito numerosa. O resultado é que muitas responsabilidades acabam recaindo sobre o colo do gestor, que deixa de agir estrategicamente para lidar com questões que poderiam ser delegadas.

Para se ter uma ideia, 34% de todo o tempo do diretor da escola acabam sendo dedicados para “apagar incêndios” envolvendo alunos, professores e outros funcionários. E somente 11% do tempo total são despendidos em um olhar mais estratégico. Os dados são de uma pesquisa da AOG Consultoria Educacional, publicada no final de 2017.

Falta tempo — e braço — para o diretor efetivamente fazer a gestão de sua escola, isto é, pensar em estratégias de transformação escolar, implementação de novos cursos, formação de professores e relacionamento com antigos estudantes, entre outras ações.

2. Evasão de alunos

Outro desafio constante em escolas de nível técnico é a forte competição com cursos tecnólogos.

Essa concorrência existe não só porque esses dois modelos de instituição têm características muito semelhantes — tempo de curso e investimento costumam ser parecidos tanto em um quanto em outro –, mas também porque, no Brasil, existe a cultura muito forte de valorizar cursos de graduação e colocar o ensino técnico em segundo plano.

A evasão de alunos, assim, acaba sendo um motivo recorrente para preocupação dos gestores de escolas profissionalizantes. Como tampouco há apelo de preço ou de duração do curso, o selo de graduação tecnóloga acaba pesando na balança.

3. Evasão de professores

Mas não é somente o esvaziamento da sala de aula que tira o sono dos gestores de escolas técnicas. Em alguns casos, a falta de professores também é um problema.

Uma das possíveis causas identificadas para isso é a falta de incentivo para a permanência do professor na escola. É muito comum que pessoas que dão aula no ensino técnico conciliem essa atividade com outro emprego.

Também é comum vermos escolas técnicas perdendo professores para outras instituições, principalmente as que contam com horários mais flexíveis ou uma grade de aulas mais confortável.

4. Orçamento reduzido

A próprio questão do orçamento interno das escolas técnicas é um obstáculo muito comum enfrentado por gestores. Salas ociosas e a já citada cultura de valorização da graduação — bem como a consequente desvalorização do ensino profissionalizante — acabam aparecendo mais uma vez como fatores que impedem essas instituições de se fortalecerem.

Quando levamos em conta a importância de escolas técnicas estarem um passo à frente para antecipar tendências e olhar em direção ao futuro em busca de novas oportunidades de crescimento, o orçamento enxuto passa a se tornar uma questão ainda mais preocupante.

De olho lá na frente

Segundo Ana Luiza Kuller, coordenadora de Educação do Senac-SP, os desafios da educação profissional, hoje, passam por três aspectos principais:

  • Desenvolvimento de capacidades específicas para profissões que já existem;
  • Antecipação de tendências com base em movimentos globais e estudos conduzidos no exterior;
  • Desenvolvimento de condições para que os jovens possam atuar com competência em um mundo que está cada vez mais complexo.