Curso técnico é mais uma porta de entrada para a vida profissional

No Brasil, existe o mito de que o aluno que faz um curso técnico não tem pretensão ou não conseguirá ingressar no ensino superior. Como se o fato de cursar ou ter um diploma de educação técnica impedisse o estudante de fazer uma graduação.

Essa crença traz impactos negativos para as escolas técnicas, pois contribui para o aumento do preconceito em relação às formações técnicas e profissionalizantes. Da mesma forma, muitas vezes leva à desistência de um número cada vez maior de alunos, que passam a acreditar que um curso técnico pode limitá-los tanto acadêmica quanto profissionalmente. Mas isso não é verdade.

Diante deste cenário, estudantes que sigam pelo caminho da educação técnica podem se sentir desmotivados para continuar os estudos. Ou podem deixar de fazer um curso técnico por acreditar que isso inviabilizaria o ingresso no ensino superior.

O que as escolas podem fazer?

Para que os alunos não desistam da educação técnica por acreditar que esse seria o único caminho para alguém que não pretende cursar o ensino superior, as escolas devem se preocupar em fazer alguns esclarecimentos importantes.

1. Curso técnico abre portas para o mercado de trabalho

Ter um diploma de educação técnica pode garantir a entrada no mercado de trabalho ou uma recolocação profissional.

E estar empregado aumenta as chances de ingresso em cursos de nível superior para quem precisa arcar com os custos dos próprios estudos. Sem contar que é um incentivo a mais para a procura por especializações e novos conhecimentos na área de atuação.

Nesse depoimento da Rosani Amat, assessora pedagógica, ela explica como o diploma de curso técnico foi importante para sua entrada no mercado de trabalho.

2. A formação técnica garante independência financeira

A educação técnica também é uma maneira de conquistar a independência financeira. E isso pode garantir a realização de sonhos e o alcance de vários objetivos.

A também assessora Renata Silene da Silva conta como conquistou sua independência financeira por meio do curso técnico. Além disso, ela também conseguiu realizar um grande sonho.

3. Ensino técnico é o início da construção da carreira acadêmica

Diferentemente do que muitas pessoas podem pensar, a educação técnica é o início da carreira profissional — e não o único caminho possível a ser trilhado.

Quem faz um curso técnico deve continuar estudando e buscar especializações em sua área de atuação. A escola deve incentivar essa continuidade nos estudos e mostrar aos estudantes algumas opções de caminhos a seguir.

O Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) é um ótimo guia para isso. Na descrição de cada curso, a instituição de ensino encontra possíveis trajetórias formativas que podem ser trilhadas.

Mostrar isso aos alunos é importante para que eles visualizem todo o potencial de crescimento profissional a partir da educação técnica.
No depoimento de Juliano Pereira, diretor de Gestão e Projetos Estruturantes, ele explica como o curso técnico fez a diferença para seu desenvolvimento profissional.


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Esses são apenas alguns exemplos do poder de transformação da educação técnica na vida das pessoas. Em muitos outros casos, ter um curso técnico no currículo pode ser um enorme diferencial no mercado de trabalho.

Para encontrar exemplos como esses, as escolas podem falar com alunos e ex-alunos e pedir que eles contem suas histórias de superação e conquistas. Esses depoimentos podem ser feitos em eventos como Feiras de Profissões para que os alunos se sintam mais motivados a fazer um curso técnico.

E o futuro da educação técnica?

Para esclarecer o universo da educação técnica no Brasil e suas possibilidades, conversamos com Alini dal Magro, Gerente da Somos Ensino Técnico.

Trabalhando com educação técnica, Alini tem contato com clientes e consegue ter uma visão mais ampla da situação atual e das tendências que se desenham para o futuro do ensino técnico no Brasil.

Como você avalia a inclusão do itinerário formativo de educação técnica profissional no novo ensino médio?

Alini dal Magro – Vejo isso com bons olhos. Ter a educação técnica como uma opção de itinerário formativo para o novo ensino médio brasileiro é uma forma de mostrar a importância dessa formação para a vida das pessoas.

A Reforma do Ensino Médio trará avanços para a educação básica no Brasil e é o início de uma grande mudança. O ensino público está sucateado e com índices de evasão muito altos.

Atualmente existem cerca de 1,5 milhão de jovens de 15 a 27 anos fora da escola, de acordo com o estudo ‘Cenário da exclusão escolar no Brasil’, realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância e Adolescência (Unicef).

Com a Reforma será possível resgatar esse jovem e dar uma possibilidade de profissionalização com a formação técnica. Isso abrirá portas para o mercado de trabalho e dará perspectivas de uma vida melhor para esses alunos.

Haverá um boom nas matrículas da educação técnica?

AM – Acredito que haverá um aumento significativo no número de matrículas da educação técnica. Existe um grande interesse dos estudantes nesse tipo de formação, por ser mais rápida e voltada para a prática profissional.

O aumento será gradativo e de acordo com a implantação e consolidação da Reforma do Ensino Médio nas escolas. Não podemos falar de números, mas esperamos que a procura pelo itinerário formativo da educação técnica e profissional seja grande.

Como as escolas podem lidar com a resistência que existe em relação a educação técnica?

AM – Existe uma ideia de que cursos técnicos são feitos apenas por quem não tem perspectiva ou intenção de ingressar no ensino superior, mas é importante deixar claro que isso não é verdade.

A educação técnica é apenas o início da formação profissional. O aluno está testando e descobrindo seus interesses. Ele pode continuar ou não naquela área de formação técnica.

Existe todo um processo de desenvolvimento e o aluno vai se aprimorando com o tempo. É importante lembrar também que cursos técnicos são feitos por pessoas que já estão no mercado de trabalho e algumas que já têm diploma de ensino superior.

Muitos buscam uma nova formação para mudar de área e aumentar suas chances de empregabilidade. Às vezes é mais fácil conseguir um emprego com a conclusão da formação técnica, do que com o diploma da graduação.

As escolas devem se preocupar em deixar bem claro o papel da educação técnica na vida do aluno e mostrar que ela não é um fim em si mesma. Mas apenas o começo de uma carreira profissional promissora e de sucesso.


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As escolas de ensino regular devem aproveitar o momento para investir em educação técnica?

AM – Sim. Esse é um bom momento para que as escolas de ensino regular façam investimentos na educação técnica profissional. Ainda está em discussão, mas até o momento as escolas precisarão ofertar ao menos dois dos itinerários formativos existentes e os cursos técnicos podem ser uma ótima opção.

Talvez exista a possibilidade de fazer parcerias com instituições de ensino que já tenham cursos técnicos, mas ainda não existe uma definição sobre o assunto.

Para a instituição que pretenda começar a trabalhar com educação técnica ou implantar novos cursos, a Somos Ensino Técnico pode ajudar em todo o processo de credenciamento e implantação da metodologia de ensino.

Você acredita que o curso técnico é uma opção apenas para quem não pretende cursar o ensino superior?

AM – Não. Pensar assim é uma maneira distorcida de encarar a educação técnica. Como falei anteriormente, existem pessoas que fazem cursos técnicos para buscar novas oportunidades de trabalho

E muitas já têm diploma de ensino superior. O técnico pode funcionar com um complemento ao conhecimento adquirido na graduação por ser mais voltado para a prática profissional cotidiana. E na graduação, geralmente, o aluno tem mais contato com conteúdos teóricos.

Uma formação não anula a outra. Quanto mais conhecimento o estudante adquirir, melhor para o desenvolvimento de sua carreira profissional e para a empresa que o empregará.

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