Como driblar as dificuldades da educação técnica

A educação técnica é sempre um tema de destaque porque aumenta a empregabilidade de quem opta por esta formação. Nos últimos meses, ela ganhou mais visibilidade por ser um dos itinerários formativos que serão ofertados aos alunos do ensino médio quando a reforma for implantada.

A meta 11 do Plano Nacional de Educação (PNE), que deve ser cumprida até 2024, prevê “triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público”.

O Anuário da Educação de 2017, que traz dados referentes a 2015, mostra que a educação técnica de nível médio possui cerca de 1,8 milhão de matrículas no Brasil. A maioria desses alunos está no técnico subsequente (mais de 1 milhão), quando é necessária a conclusão do ensino médio para entrar no curso técnico. Também existem as modalidades concomitante e integrado que acontecem quando o aluno ainda está cursando o ensino médio regular.

Existem muito mais jovens que poderiam fazer educação técnica e profissional, mas eles estão fora do ambiente escolar ou depois que concluíram o ensino médio não migraram para outra etapa da educação.

Dados no anuário também mostram que 14,6% dos jovens de 15 a 17 anos (1,5 milhão) não estudam e não concluíram o ensino médio. E apenas 18% dos estudantes que concluem a última etapa da educação básica migram para a graduação.

A pesquisa Repensar o Ensino Médio, do movimento Todos pela Educação, mostra que 29,2% dos jovens de 15 a 19 anos acreditam que o ensino técnico é menos valorizado que uma graduação e 26,8% se sentem desestimulados porque o ensino técnico não prepara para a faculdade.

É necessário mostrar aos jovens que o técnico é, sim, uma boa opção e que a valorização desses profissionais é significativa no mercado de trabalho brasileiro.

Encontrar profissionais técnicos é uma das principais dificuldades dos departamentos de recursos humanos das empresas brasileiras, revela a pesquisa Escassez de Talentos, da ManpowerGroup. E há algumas formações técnicas com mais destaque e valorização em 2017, de acordo com o mesmo estudo:

  • Técnico em meio ambiente;
  • Técnico em redes de computadores;
  • Técnico em mecânica;
  • Técnico em eletrotécnica;
  • Técnico em segurança do trabalho;
  • Técnico em logística.

Embora exista um grande potencial de captação de alunos para o ensino técnico e profissionalizante, algumas barreiras devem ser vencidas pela sociedade e também pelos governos.

Primeiro é trabalhar para que os jovens voltem para a escola e concluam o ensino médio. Depois, mostrar a eles que a educação técnica é o início de toda uma formação que pode ser percorrida. E aí, é interessante que a escola ajude o aluno e mostre para ele outros cursos que podem ser feitos após a conclusão do técnico.

4 frentes para vencer os obstáculos da educação técnica profissional

Marcelo Feres, ex-secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), aponta, em artigo publicado no anuário, quatro frentes que devem ser seguidas para que a educação técnica profissional avance no Brasil:

1. Promover campanhas de valorização da formação técnica como um caminho de sucesso, sem prejuízo da continuidade de estudos em nível superior

Aqui, as escolas técnicas podem fazer campanhas com alunos e professores, mostrando a trajetória deles na educação técnica. O motivo de suas escolhas, quais os ganhos que a formação trouxe para eles e os motivos que fazem da educação técnica uma etapa importante de suas vidas.

O objetivo é mostrar que a educação técnica é apenas o início e que depois podem ser feitos cursos de especialização técnica, tecnólogos, bacharelado, licenciatura, ou outros, para que seja dada a continuidade nos estudos.

2. Desassociar a educação técnica de uma alternativa ao fracasso no acesso à educação superior e de caminho apenas para um público específico

É importante deixar claro que a formação técnica atende a diversos públicos. Não somente jovens que estudam ou concluíram o ensino médio, mas também adultos que já estão no mercado de trabalho e fazem mais uma formação técnica para ter um upgrade no mercado de trabalho, ou mesmo para mudar de área.

Muitas vezes, um diploma de graduação pode não ser o suficiente para conquistar ou manter um emprego, e a formação técnica se faz necessária para adquirir determinadas habilidades.

Ou seja, a educação técnica também é um caminho para quem está inserido no mercado de trabalho. As possibilidades são muitas, cabe à escola técnica explorá-las.

3. Estimular a articulação entre escolas de ensino médio e instituições de educação profissional

Escolas técnicas podem e devem se aproximar das comunidades escolares próximas à sua localização. É importante levar informação aos jovens. A pesquisa Repensar o Ensino Médio revela que as principais dúvidas dos jovens são em relação aos cursos oferecidos (25,4%) e valores das mensalidades (21,8%).

Além desses dados, é importante levar profissionais das áreas, que podem ser os professores, para dar palestras e falar um pouco sobre como funciona a profissão na prática.

Os alunos também podem ser convidados a conhecer a escola técnica e a assistir uma aula. Essa ponte é fundamental para que o jovem realmente enxergue aquilo como um caminho real para a sua vida.

4. Reestruturar os currículos dos cursos técnicos via a criação de base tecnológica comum também para cursos técnicos

Em meio ao debate de uma nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a educação infantil, fundamental I e II e médio, por que não pensar nessa possiblidade para a educação técnica?

Claro que essa é uma ideia que precisa do envolvimento de diversos setores da sociedade e não pode ser colocada em prática instantaneamente. Mas é uma ideia relevante e que precisa ser discutida com o senso de urgência que o tema merece.

A Somos Ensino Técnico apoia sua instituição a vencer essas e tantas outras barreiras da educação técnica. Compartilhe suas experiências com a gente e conheça nossas soluções.

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